• José Luiz Sardá

A CULTURA DA PESCA ARTESANAL NA ILHA DE SANTA CATARINA

Foto: Praia de Canasvieiras - Família Daux - Anos 1960



A pesca artesanal na Ilha de Santa Catarina representou grande importância na cultura local. Aliada à agricultura a pesca artesanal foi certamente um dos aspectos que mais contribuiu para a fixação do homem na terra, numa ilha de muitas similaridades com as Ilhas de Açores. Walter Piazza cita no seu livro - A colonização de Santa Catarina, que “no período de 1748 a 1756 desembarcaram em Santa Catarina cerca de seis mil imigrantes, em sua maioria açorianos.


Além das terras o governo português havia prometido auxílio financeiro, incluindo transporte gratuito, armas, ferramentas, animais, farinha e isenção do serviço militar, mas ao chegar aqui a realidade foi outra. Os imigrantes ficaram sujeitos ao recrutamento já que um dos principais propósitos da colonização era garantir as terras do Sul sob a bandeira Portuguesa e pouco do que havia sido prometido foi garantido, e assim os imigrantes ficaram sujeitos ao confisco de alimentos”.  As terras da Ilha de Santa Catarina não eram tão férteis quanto o solo vulcânico dos Açores, a maioria das culturas que eram comuns aos açorianos ou que na época interessavam comercialmente à Coroa não tiveram sucesso aqui e os colonos precisaram adaptar-se às outras culturas, principalmente a mandioca herdada dos índios, tornando-se a base alimentar da população local. A pesca não tinha grande importância econômica e por isso tornou-se atividade subsidiária. A única atividade pesqueira interessante comercialmente foi à pesca da baleia que durou até o começo do século XX. A partir de meados do século XIX, as principais freguesias que se dedicavam à atividade pesqueira eram Ponta das Canas, Barra da Lagoa, Canasvieiras e Campeche. O trabalho na pesca era intercalado com o trabalho na lavoura. Entre os meses de maio a julho, época da tainha, os homens deixavam a roça e os engenhos de farinha aos cuidados das mulheres e dos filhos para sair ao mar. A pesca artesanal vai começar a perder importância em meados do século XX. Antigos pescadores contam que jovens pescadores nativos que cresceram pescando nas redes das praias do Norte da Ilha encontraram trabalho nos centros pesqueiros gaúcho e paulista, onde existam empresas pesqueiras emergentes, estimuladas nos Planos de Desenvolvimento Nacional implementado no Pós-Guerra. Em Canasvieiras foi possível sentir estas mudanças ao longo do tempo. Em meados da década de 1970 o turismo torna-se a principal atividade econômica da região. Hoje em dia dificilmente pode-se assistir um arrastão na praia de Canasvieiras.

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Sobre o Autor

Gosto de me comunicar, expressar opiniões e mensagens inspiradoras de elevação espiritual. Sou uma pessoa de firmeza e tenho autoconfiança. Respeito e acolho a opinião dos outros, construir relações honestas e produtivas. Sou detalhista, tenho pré-disposição para ser criativo, respeito e admiração pelos animais e praticar o bem.

 

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