Sobre o Autor

Gosto de me comunicar, expressar opiniões e mensagens inspiradoras de elevação espiritual. Sou uma pessoa de firmeza e tenho autoconfiança. Respeito e acolho a opinião dos outros, construir relações honestas e produtivas. Sou detalhista, tenho pré-disposição para ser criativo, respeito e admiração pelos animais e praticar o bem.

 

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  • José Luiz Sardá

AFRICANOS E AFRODESCENDENTES NA DESTERRO OITOCENTISTA - 1860 à 1890


Muitas das atividades produtivas na antiga cidade Desterro eram feitas por africanos e seus descendentes, além da expressividade em número (32,64% em 1866 e 35,25% em 1872). O trabalho portuário, a pesca, a iluminação pública, o transporte de mercadorias, as quitandeiras e lavadeiras, os sapateiros e o trabalho nas áreas rurais. Nas últimas décadas do século XIX, além de lugar de trabalho e moradia, era possível vislumbrar africanos e afrodescendentes cativos, libertandos, libertos e nascidos livres como atores da cidade na época, que comercializavam e trabalhavam na manutenção da infraestrutura.  Eles eram ativamente participativo na economia, estando presentes nos mais diversos locais, desempenhando as mais variadas funções e traçando laços de sociabilidade. 

Na periferia da cidade estavam localizados os bairros onde moravam as pessoas mais pobres. Os bairros da figueira, Tronqueira, Pedreira, Beco do Sujo, Toca, Campo do Manejo e o Cidade Nova, faziam parte do mundo habitado por africanos e seus descendentes. O bairro da Figueira, possivelmente o maior, era considerado um antro de prostituição muito frequentado por marinheiros, habitado por pessoas extremamente humildes. Situado a oeste do centro histórico de Florianópolis, possuía trapiches, estaleiros, armazéns, inúmeras casas de negócios, hotéis, padarias, boticas; o que “transformou a região em uma ativa zona produtiva e ao mesmo tempo, atraiu centenas de miseráveis de todos matizes em busca de trabalho e moradia. 

Era uma área ativa e perigosa, onde nem mesmo as forças de segurança pareciam estar a salvo”. Na maioria das vezes, as populações de origem africana eram utilizadas como mão de obra para os chamados “serviço de preto” ou “serviço de negro” – comerciantes marítimos, atividades agrícolas, pescadores, jardineiros, chapeleiros, domésticos, produtores de calçados, tecidos e vestuários – ou seja, realizavam trabalhos braçais.

Outras profissões faziam parte deste cenário, como pombeiros, carroceiros, quitandeiras, lavadeiras, cozinheiros, varredores de rua, copeiros, lavradores, dentre outras atividades, “mesmo porque a escravidão urbana deixou aberta a possibilidade dos escravos acumular um pecúlio de maneira que os mesmos se encontravam integralmente circulando pela cidade”. Nesse universo de trabalhadores de origem africana, o porto de Desterro ocupava um lugar a ser pensado, pois poderiam tirar a sobrevivência diária ou os “trocados” a se guardar para a compra da alforria e os ofícios de pescador e de canoeiros eram os mais comuns nessa parte da cidade.

“Texto extraído do livro Prêmio de Monografias – Silvio Coelho dos Santos” Monografia de Karla Leandro Rascke – Edição Fundação Franklin Cascaes. 

Fotografia: Instituto Histórico e Geográfico de Santa Catarina

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