• José Luiz Sardá

OS PRIMEIROS TRANSATLÂNTICOS NA ILHA DE SANTA CATARINA


Na segunda metade da década de 1970, a Ilha de Santa Catarina tornou-se foco do interesse de empresas internacionais de cruzeiros marítimos. O navio Apolo II, o primeiro a chegar aqui, fundeou na baía de Canasvieiras, no dia 20 de janeiro, com 136 turistas norte-americanos a bordo. A maioria dos passageiros era formada por professores de história, com idade média de 65 anos, que realizavam uma viagem de observação para se fixarem em alguma região brasileira.


De acordo com o programa organizado pela BRUSA Turismo, os passageiros deveriam desembarcar e visitar a cidade, mas um forte vento sul, com rajadas de 40 km/h, acompanhado de chuva, impediu o desembarque e o navio seguiu para Punta Del Leste, no Uruguai. Em fevereiro de 1986, um dos mais elegantes navios de cruzeiro, o Sea Godness II, navio norueguês, chegou a Florianópolis. Trazia 110 passageiros e 70 tripulantes.


Quando fundeado, baixava ao mar um deck flutuante que formava uma enorme piscina de água salgada, ao redor da qual se montava um deck com mesas, cadeiras e guarda-sóis. As cabines, todas externas, custavam 7 mil dólares por pessoa por uma semana de viagem entre Rio e Buenos Aires, com escalas em Angra dos Reis e Florianópolis. O navio vivia lotado de turistas norte-americanos.


O serviço de receptivo foi prestado pela ILHATUR turismo, que recebeu quatro meses antes do navio chegar, um telex da empresa armadora, contendo os seguintes pedidos: 20 carros tipo limusine com ar refrigerado e motorista falando inglês; exemplares do New York Time, do dia; campo de golfe com 18 buracos; 10 ônibus de turismo com ar refrigerado; 15 guias profissionais falando inglês; quadras de tênis de saibro; mapas e folhetos em inglês.


Limitada pela infraestrutura do local, a ILHATUR, conseguiu fornecer alguns ônibus de turismo, sem ar refrigerado, alguns guias falando inglês e algumas quadras de cimento (com pisos rachados) na sede do Clube Doze de Agosto, em Jurerê, mediante pagamento de 50 cruzeiros por hora, pelo uso das quadras esburacadas. Mesmo consciente das dificuldades de atender as exigências dos passageiros, a empresa de navegação continuou a incluir a parada do Sea Godness II em Florianópolis por três anos seguidos, mas como nenhuma melhoria nas condições de desembarque foi providenciado, desistiu das escalas.


A história do Turismo em Florianópolis - Narrada por quem a vivenciou (1950 - 2010)

Autor: Antônio Pereira Oliveira

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Sobre o Autor

Gosto de me comunicar, expressar opiniões e mensagens inspiradoras de elevação espiritual. Sou uma pessoa de firmeza e tenho autoconfiança. Respeito e acolho a opinião dos outros, construir relações honestas e produtivas. Sou detalhista, tenho pré-disposição para ser criativo, respeito e admiração pelos animais e praticar o bem.

 

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