Sobre o Autor

Gosto de me comunicar, expressar opiniões e mensagens inspiradoras de elevação espiritual. Sou uma pessoa de firmeza e tenho autoconfiança. Respeito e acolho a opinião dos outros, construir relações honestas e produtivas. Sou detalhista, tenho pré-disposição para ser criativo, respeito e admiração pelos animais e praticar o bem.

 

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  • José Luiz Sardá

RATONES DO SÉCULO XX


O Distrito de Ratones foi criado em 21 de agosto de 1934 por Decreto Estadual, quando foi desmembrado do distrito de Santo Antônio de Lisboa. Desde sua fundação a Igreja Nossa Senhora dos Remédios faz parte da história deste lugar. A vida dos nativos, a labuta e o desenvolvimento desta comunidade deu-se pelos meandros dos Rios Ratones e Papaquara. Naquela época eram grandes as plantações de café e de cana, vendas e armazéns de secos e molhados, criação de galinhas e ovos e intensa pesca. O comércio era forte em função do trafego de mercadorias de todos os gêneros que vinham de vários arraiais da região e eram escoadas no leito destes rios até a cidade de Desterro.


Entre 1949 e 1959 com o objetivo de sanear a Bacia do Rio Ratones, o extinto Departamento Nacional de Obras e Saneamento (DNOS) elaborou e executou projetos de recuperação, aberturas de canais e valas de drenagens. Em 1978 foram construídas duas comportas sobre o canal deste rio, que modificou bastante a drenagem natural das áreas de planície. Em período de chuva forte, provocava transbordamento do leito do rio, cobrindo de água estradas e casas. Com a operação das comportas o manguezal começou a morrer pela falta de água salgada e o rio sofreu um acelerado acúmulo de matéria orgânica.


No período de 1948 e 1962, segundo relatório do extinto DNOS, o propósito do saneamento das várzeas localizadas na bacia de Ratones permitiria a utilização das terras para obtenção de pastagens artificiais. A ideia era beneficiar os distritos de Ratones e de Canasvieiras para instalação de granjas de gado leiteiro e a fixação de colonos holandeses na Ilha de Santa Catarina. Por essa razão, foi construído um dique no ponto mais estrangulado da bacia, que impediria a entrada de água salgada e a recuperação da região que sofria a influência das marés.


Este dique serviu futuramente como base para a construção da SC 402. A construção fechou o leito original do rio, nos locais conhecidos pelos pescadores como Coroa do Bicudo e Poço das Pedras, sendo considerado pelos pescadores mais antigos, a maior área, melhor ponto pesqueiro e mais profundo do Rio Ratones. Naquela época os pescadores praticavam a pesca artesanal para o sustento de suas famílias e utilizavam o rio como meio de transporte de suas produções.


A partir de 1978 o assoreamento do rio reduziu gradativamente a capacidade de vazão, ocasionando alagamentos sazonais em toda extensão. Durante a maré baixa em alguns trechos não é possível à navegação e na preamar apresenta profundidade inferior a um metro. Em 1980 moradores e pescadores destruíram parcialmente as comportas, permitindo que o fluxo das marés novamente voltasse a influenciar sobre estas áreas dando vida ao manguezal.


Fotografia: Ponte sobre o rio Ratones – Década 1950

Acervo: Casa da Memória de Florianópolis

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